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O QUE É OCCURSUS

Atualizado: 8 de fev.

Occursus em latim significa encontro, termo escolhido por nos habilitar a construção de aproximações entre a Esquizoanálise e o Psicodrama, a partir dos conceitos que recortam um mesmo campo de imanência, sem violar as tarefas específicas que cumprem em cada dos dois referenciais teóricos.


Em Esquizoanálise, este termo é citado explicitamente por Gilles Deleuze em sua aula de 24 de janeiro de 1978 sobre a Filosofia de Baruch Espinosa, ao afirmar que para Espinosa occursus se refere aos encontros casuais que compõem as ideias-afecções dos indivíduos que vivem no primeiro nível de conhecimento e que constitui a grande maioria da humanidade, pelo menos até que cada um consiga ascender ao segundo nível, aquele das noções comuns.


Em Diferença e Repetição, Deleuze já apresentava uma crítica do pensamento como recognição e a defesa de um pensamento sem imagem, inventivo, para o qual Pensar ou Aprender resulta de um Encontro com os signos, casual, em geral violento e que força a Pensar. Mais tarde, com Guattari, no Anti-Édipo e em Mil Platôs, ao cunharem os conceitos de Máquina Desejante e depois de Agenciamento, será sempre num Encontro ao acaso entre partes de um indivíduo e de outro que tudo irá se iniciar.

Deleuze e Guattari

Gilles Deleuze & Felix Guattari (Fonte Desconhecida)


No Psicodrama, o termo foi concebido por Jacob L. Moreno como uma relação humana de qualidade superior, caracterizada por uma empatia recíproca, a qual ele se referia como tele-relação, tendo, inclusive, elaborado o poema “Convite a um Encontro”, apresentado em seu livro Psicodrama como “Divisa”, no qual lhe diz:


“(...) Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.

Jacob L. Moreno
Jacob L. Moreno

E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos

e colocarei no lugar dos meu;

E arrancarei meus olhos

para colocá-los no lugar dos teus;

Então ver-te-ei com os seus olhos

E tu ver-me-ás com os meus (...)”.


Mesmo com apenas essas citações iniciais, já se pode destacar as aproximações e os distanciamentos entre os significados que os dois autores dão a occursus (Encontro).


Para Deleuze, é sempre um encontro entre partes notáveis do corpo do indivíduo e os signos, que são os pontos singulares da ideia objetificada, aquilo com o qual ele se relaciona, sempre numa conexão que é sensório-motora, não apenas perceptiva, que se constitui na experimentação ativa que se realiza com o outro.


Para Moreno, trata-se de conexão entre pessoas mediadas por percepções de uma em relação à outra: “eu te verei com os teus olhos e tu me verás com os meus…”, numa “bi-empatia”.


Apesar da distância teórica que os separa, não se pode negar que o occursus os aproxima, já que se refere sempre a algo que ocorre, acontece, vem ao indivíduo, que não parte dele ou de sua vontade.


Além disso, nunca está dentro, como também não está tão lá fora, tão distante, num plano transcendente, mas sempre no intermezzo, no meio, entre os dois, numa distância que o torna acessível, mas que não lhes permite confusão ou sobreposição de um com o outro.


Seguindo este fio de Ariadne, esperamos poder percorrer todo o labirinto das aproximações (im)possíveis entre Esquizoanálise e Psicodrama, jamais negando suas singularidades, mas aproximando-as tanto quanto possível, buscando composições, conexões e conjunções, sem desrespeitar suas disjunções.


É a este passeio pelo labirinto destas aproximações teórico-experimentais que convidamos o leitor, o aluno, o psicólogo, sociólogo, assistente social, pedagogo e todo aquele que cansado das matrizes identitárias e dogmáticas que atravessam o campo psi afim estiverem em busca de conexões, conjunções, criações e invenções de novos conceitos que nos protejam das definições rígidas, das identidades, dos fascismos, racismos e todo tipo de discriminação e preconceito devidos à intolerânica diante da Diversidade e da Diferença.


Não somos esquizoanalistas, não somos psicodramatistas, nem psicanalistas ou fenomenólogos, nem assumimos qualquer outra matriz identitária, seja do campo Psi (Psiquiatria, Psicanálise e Psicologia) ou de qualquer outro.


Para nos proteger das identidades, buscamos o intermezzo, o entre dois, pois só no meio, no entre, nos vãos o Devir continua a passar, a fluir, numa linha de fuga dos estratos e das territorialidades identitárias.


Só na batalha contra as identidades conseguiremos afastar de nós esta chaga tão pungente que é a intolerância ao diverso e ao diferente, responsável por tanta violência em todas suas formas fascistóides.


O intermezzo poderia ser outro, entre a fenomenologia e a psicanálise, por exemplo, mas quis o Acaso que a nossa vivência acumulada de 34 anos de experimentações e estudos ocorressem naquele que acabamos de propor.


Este Núcleo de Estudos, Pesquisa e Formação pretende dar a continuidade a esta experiência acumulada, além de divulgar o que já realizamos.



apresentação animada do conceito OCCURSUS


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